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        Entrada/Bom Retiro - SC,              

 Resgate histórico da cultura e da religiosidade dos Imigrantes Alemães que entre os séculos XIX e XX   formaram na localidade de Entrada/Bom Retiro - SC, uma das primeiras Igrejas Adventistas do Sétimo Dia no Brasil 

 

                     

A Imigração Alemã ao Brasil

 

Iniciamos, agora, a viagem ao Brasil; Estejas conosco Senhor, indica e abre o rumo; Estejas conosco no mar com tua mão paternal! Assim chegaremos, com certeza, às terras do Brasil.

(Peter Minor)

Na Alemanha

No início do século XIX, era um tanto complicado e difícil o movimento migratório entre a Alemanha e o nosso País, e o motivo dessa dificuldade eram as diferenças culturais, religiosas, políticas etc., sem contar com a distância entre os dois países.

A Alemanha vivia uma época difícil, o povo estava sofrendo pela miséria e a fome, e alguns não esclarecidos, destacam esta como a razão principal que motivou a emigração.

Carlos Fouquet em seu Livro “O Imigrante Alemão” p. 67, dá sua interpretação:

 Isso também aconteceu, mas jamais foi regra geral, nem mesmo quando dos transtornos napoleônicos ou após as duas guerras mundiais. Fator decisivo foi simplesmente à realidade de que a grande massa de emigrantes não encontrava em sua pátria meios para o pleno aproveitamento de suas capacidades e iniciativas, acreditando ser isso possível no exterior.

Nas propriedades rurais a terra já se tornava escassa ao ser repartida em herança no decorrer das gerações. O sapateiro, o ferreiro, o comerciante, tinham muitos concorrentes e não viam a sua frente um futuro de progresso.

Foi este o real motivo que os levou a levantarem as cabeças e em meio ao desânimo avistarem além do Atlântico, uma terra ainda pouco povoada. Lá sobraria terra para os agricultores e espaço para qualquer atividade desenvolver-se com sucesso.

 O Governo Imperial do Brasil oferecia aos interessados ótimas vantagens:

I - Os emigrantes para a colonização do Brasil não necessitarão de recursos. O Governo se encarregará da passagem marítima e da alimentação durante a viagem. Uma vez no Brasil serão assistidos pelo Governo com utensílios agrícolas, com as primeiras provisões e com um subsídio diário até que estejam em condições de eles mesmos se alimentarem.

II - Os emigrantes mais abastados, que viajarem às próprias expensas, entrarão no gozo de todas as vantagens previstas depois de chegados ao Brasil, tendo direito à maior área de terras, proporcionalmente aos custos da viagem.

III - Ninguém será obrigado ao serviço militar. Os engajamentos serão voluntários. Para isso, já na Alemanha, são concedidas cartas àqueles que não pretendem prestar o serviço militar.

IV - Os emigrantes serão estabelecidos em agrupamentos próprios para preservar, pela tradição, seu patrimônio cultural e moral e para não perderem seus valores de origem, inclusive o idioma num ambiente estranho e de não correrem, os seus descendentes, o perigo da degeneração e da decadência dos costumes.

V - Aos não católicos conceder-se-á casa de oração e escola, mesmo não sendo elas públicas, e todas as ajudas por parte do Governo. Cada Colônia receberá, para as suas comunidades eclesiásticas e escolares, concessões de terras, que serão cultivadas depois que chegarem os pastores e professores, pelos membros da colônia.

VI - O Governo Brasileiro, antes da emigração, fornece a cada emigrante para que apresente às autoridades do seu país, o Certificado de Recepção (Aufnahmezusicherung), o qual garante aos colonos, que fixarem residência em terras concedidas pelo Governo, a equiparação política com os demais súditos do Império.

 Eram oferecidas vantagens também durante a viagem:

I - Para os passageiros, no convés, deve haver o espaço de 12 pés quadrados e as camas devem ter 6 pés de comprimento, e para quatro pessoas, outro tanto de largura.

II - A ventilação deve ser especialmente cuidada e, para mais de 25 pessoas, devem existir quatro latrinas.

 Diante de tal oferta grandes massas de emigrantes deixaram sua terra pátria, e se dirigiram ao Brasil.

 Uma vez chegados ao local de embarque, os emigrantes deveriam esperar, por tempo indeterminado, o navio que os levaria ao porto de destino.

 Antes do embarque, era celebrado, no porto, um contrato entre o emigrado e o representante consular brasileiro, discriminando o número de pessoas de cada família, o peso máximo da bagagem a ser transportado às expensas do Governo Brasileiro e as outras garantias oferecidas por ocasião do recrutamento.  Um casal com 5 filhos tinha direito a uma bagagem de 117 quilos. Transportavam o que podiam, panelas, louças, ferramentas, roupas, sementes, etc.

 Chegada à hora tão esperada do embarque, dura realidade, o limite de passageiros não era respeitado, o navio era abarrotado e os emigrantes teriam que suportar o contraste entre as ofertas apresentadas e as condições oferecidas. 

 A Difícil TRAVESSIA

A viagem marítima durava, na época, cerca de 90 dias. As mulheres e as crianças viajavam no porão e os homens no tombadilho. Era comum o surgimento de doenças durante a travessia atlântica, e muitos vinham a falecer sem avistarem as terras brasileiras, e estes recebiam como sepultura às águas do Atlântico.

A comida a bordo era preparada pelo cozinheiro do navio, a lavagem de roupa competia aos próprios imigrantes.

Embalados pelas águas marítimas erguiam suas vozes em louvor a Deus, e durante a travessia cantavam uma canção composta por Peter Minor:

 Wir Treten jetzt die reise nach Brasilien an;

Sei bei uns, Herr, und Weisse, ja mache selbst die Bahn;

Sei bei uns auf dem Meere mit Deiner Veterhand!

So kommen wir ganz sicher in das Brasilien-Land.

 

(Iniciamos, agora, a viagem ao Brasil;

Estejas conosco Senhor, indica e abre o rumo;

Estejas conosco no mar com tua mão paternal!

Assim chegaremos, com certeza, às terras do Brasil).

 

Ducrch Gott sind wir berfun, sost käm’s uns nie in Sinn;

So glauben wir und wanden auf Dein Geheiss dahin.

Gott  führt uns auf dem Meere mit Seiner Veterhand,

So kommem wir ganz sicher in das Brasilien-Land.

 

(Por Deus fomos chamados, sem Ele não ousaríamos viajar;

Cremos que viajamos por sua ordem.

É Deus que nos guia no mar com sua mão paternal,

Assim chegaremos com certeza as terras do Brasil).

 

Gott sprach zu Abrahame: Geh aus von deinem Land,

Ins Land, das ich Dir zeige durch Meine starke hand!

Auch wir vetrauen fest auf Gott, sein heilig Wort,

So gehen wir von dannen jetzt nach Brasilien fort.

 

(Deus falou a Abraão: parte da tua terra

Para o lugar que, com Minha forte mão, indicarei!

Nós também confiamos firmemente em Deus e sua Palavra Sagrada,

Assim partimos agora, daqui para as terras do Brasil).

 

Wie oft haben gerufen zu Dir, mein Gott und Herr,

So hat sich jetzt eröffnet ein Land, worinnen wir

Auf Deinen Wink hingehen. Durch leitung Deiner Hand

Wist du uns wohl versorgen in dem Brasilien-Land.

 

(Quantas vezes chamamos a ti, Deus e Senhor!

Se nos apresentou, agora, uma terra para onde

Nos dirigimos seguindo o Teu sinal, orientados por Tua mão,

Nos abrigarás bem nas terras dos Brasil).

 

 No Brasil

Ao chegarem ao Brasil os imigrantes partiam para o seu destino, depois de uma dura travessia oceânica, onde vários deles morreram. Do velho mundo não haviam trazido muitos pertencentes, somente sua família, sua honra, coragem e fé. Muitos sonhos e quase nenhum direito. Aqui no novo mundo, esperavam encontrar o eldorado que lhes foi descrito: terra fértil, implementos agrícolas, animais e dinheiro. De todas as promessas, poucas foram cumpridas. Restou aos colonizadores a árdua tarefa de fazer prosperar uma terra ainda inexplorada.     

Não é muito fácil determinar quantos alemães entraram no Brasil entre 1824 e 1947. Há, basicamente, dois problemas: falta de precisão dos dados, e mudanças territoriais na Europa Oriental, fazendo com que, por exemplo, muitos alemães tivessem vindo da Rússia e poloneses tivessem passaporte alemão. De um modo geral, estima-se que cerca de 250 mil alemães vieram nesse período.

Entre estas levas de imigrantes alemães, muitos vieram aportar em Santa Catarina, onde fundaram várias colônias, as quais citamos abaixo, em virtude das famílias alemãs que aceitaram a Mensagem Adventista em Bom Retiro, serem procedentes dessas colônias.

Colônias Alemãs4

Nome

Ano de Fundação

01

Itajahy

1835

02

Santa Isabel

1847

03

Dona Francisca

1851

04

Militar Santa Theresa

1853

05

Theresópolis

1860


O Histórico "A Imigração Alemã ao Brasil" é parte integrante da obra 
"Fé, Honra e Coragem de Um Povo".  
 
 
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