Entrada/Bom Retiro - SC,              

 Resgate histórico da cultura e da religiosidade dos Imigrantes Alemães que entre os séculos XIX e XX   formaram na localidade de Entrada/Bom Retiro - SC, uma das primeiras Igrejas Adventistas do Sétimo Dia no Brasil 

 

ILUMINADOS PELA LUZ DA VERDADE

 

De nossos livros e revistas projetar-se-ão brilhantes raios de luz que iluminarão o mundo quanto à verdade presente. 30

Igreja de Brauchweig (Gaspar Alto), organizada em 1896

 

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Armazém de Davi Hort
Em 1884, Borchardt, jovem alemão residente em Brusque – SC, cometera um crime e para escapar à justiça local, foi ao porto de Itajaí, onde entrou como clandestino a bordo de um navio. Distante já do Brasil, o comandante o descobriu, e ordenou-lhe trabalhar a bordo como tripulante. Foi assim que durante a viagem, o jovem veio a conhecer dois missionários Adventistas, os quais lhe perguntaram se havia evangélicos no Brasil, chegando mesmo a dar-lhe estudos bíblicos e literatura denominacional. Borchardt lembrou-se então do seu padrasto, Carlos Dreefke, luterano, que apreciava literatura religiosa, e forneceu àqueles missionários o endereço dele em Brusque, para que lhe enviassem literatura gratuita.

Assim sendo, neste mesmo ano, através do Porto de Itajaí, deu entrada no Brasil o primeiro pacote de literatura contendo a mensagem do Adventismo, destinado ao senhor Dreefke, residente em Brusque. O pacote referido foi ter às suas mãos quando se encontrava no armazém do senhor Davi Hort. Porém o senhor Dreefke temendo uma cilada recusou-se recebê-lo, porquanto não fizera encomenda alguma semelhante. Por insistência do senhor Hort, resolveu abrir a correspondência e encontrou exemplares do periódico Adventista escrito em língua alemã “Stimme der Warheit” (Voz da Verdade), publicado pela imprensa denominacional de Battle Creek, nos Estados Unidos.

O senhor Dreefke, após retirar uma revista, deu as demais para diversas pessoas, inclusive ao senhor Hort, o dono do armazém. O resultado foi imediato. Dez famílias residentes em Brusque se tornaram interessadas na mensagem do advento, passando a solicitar mais literatura através do senhor Dreefke. 

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Davi Hort







A demanda de publicações adventistas para o Brasil foi aumentando cada vez mais e isto causou apreensão ao senhor Dreefke, pois temia a responsabilidade pelo pagamento e então decidiu suspender os pedidos futuros. O senhor Chikiwidowski, imigrante polonês, pediu para continuar com a responsabilidade de realizar os pedidos, mesmo que tivesse que pagar algum valor pela literatura, mas seu entusiasmo não durou muito.

Surge então outro personagem, por nome Dresler, que se ofereceu para pagar e distribuir toda a literatura Adventista que lhe chegasse às mãos. Sua conduta pessoal era, porém, muito censurável. Banido da Alemanha por seu próprio pai, um pastor luterano, que desejava para o filho a missão de pastor, mas que tomou a decisão extrema de banir seu filho para evitar uma desonra maior para sua família, já que Dresler se tornara um ébrio, entristecendo profundamente seu pai.

Para garantir sua subsistência, Dresler tornou-se professor elementar em Brusque, sem, contudo abandonar o alcoolismo. Até mesmo das revistas de publicações adventistas por ele vendidas, usava para sustentar o seu vício. Por vezes suas mãos ficavam tão trêmulas que as revistas lhe caíam em plena rua, ou nas casas em que penetrava. Assim, acidentalmente nossa literatura era encontrada por várias pessoas nos mais diversos lugares, inclusive chegou a servir para embrulhar mercadorias, porquanto quando não tinha dinheiro, Dresler chegava a trocá-las por bebidas alcoólicas com taverneiros.

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Wilhelm Belz e Esposa
Apesar de tudo, o interesse pelos periódicos foi sempre crescendo e para atender os pedidos, Dresler sempre pedia maior quantidade de publicações. Novas revistas lhe foram enviadas, como o Hausfreund (Amigo do Lar) e até livros pequenos e grandes. Toda a literatura recebida, e já avaliada em centenas de dólares, jamais foi paga por Dresler, e a maior parte do dinheiro foi consumida em álcool.

Em 1887, Wilhelm (Guilherme) Belz, imigrante alemão que residia na localidade de Brauchweig (Gaspar Alto) – SC, veio visitar seu irmão em Brusque e se deparou com o livro “Gedanken Über das Buch Daniel” (Comentário Sobre o Livro de Daniel) de Uriah Smith, que seu irmão tinha adquirido das mãos de Dresler.

O livro chamou atenção de Guilherme Belz que o pediu emprestado a seu irmão, levou-o para casa e leu todo o livro com meditação e reflexão, impressionando-se com o capítulo “O Papado Muda o Sábado”. Acompanhando a leitura do livro com a Bíblia, convenceu-se de que o sábado é o dia de repouso original, instituído e ordenado pelo próprio Criador, e que jamais a Palavra de Deus autorizara em parte alguma a mudança do repouso sabático para outro dia. Em 1890 decidiu guardar o sábado com sua família, no que foi seguido posteriormente por vários vizinhos, totalizando vinte e duas pessoas. Foram os primeiros observadores do sábado no Brasil, mesmo sem conhecer nenhum missionário Adventista.

Em maio de 1893, por designação da Associação Geral, o colportor Albert B. Stauffer chegou ao Brasil, desembarcando em São Paulo, após trabalhar por dois anos no Uruguai e na Argentina, com os seus companheiros E. W. Snyder e C. Nowlin. Recém chegado, Stauffer conheceu o senhor Alberto Bachmeier, de origem alemã, revelando-lhe a mensagem Adventista e conseguindo a sua conversão. Logo Stauffer o treinou na colportagem, e ambos passaram a vender a literatura denominacional em língua alemã, pois não havia em língua portuguesa. Isto tornava o trabalho dificultoso, pois se fazia necessário procurar pessoas de origem alemã que pudessem adquirir as revistas e os livros.

Bachmeier vendeu nossa literatura em Indaiatuba, Rio Claro, Piracicaba e em outras cidades do interior paulista e os primeiros interessados de São Paulo foram aparecendo: em Indaiatuba, a família de Guilherme Stein (pai); em Rio Claro, Guilherme e Paulina Meyer; e ainda em Piracicaba, o professor Guilherme Stein Jr. e senhora. Guilherme Stein Jr. era metodista e se converteu após a leitura do livro “O Conflito dos Séculos”, da senhora Ellen White.

No início de 1894, chegou ao Brasil o segundo missionário Adventista, W. H. Thurston, acompanhado da esposa, oriundo dos Estados Unidos. Sua missão era estabelecer no Rio de Janeiro um depósito de livros para atender às necessidades da colportagem local.

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Professor Guilherme Stein Jr.

O mesmo navio que trouxe o casal Thurston para o Brasil trazia juntamente o pastor Francisco H. Westphal e família, que viajavam com destino à Argentina. O pastor Westphal foi chamado pela Associação Geral para dirigir a Obra Adventista na América do Sul, e para batizar os primeiros Adventistas da Argentina. Em 1895 o pastor Westphal foi chamado ao Brasil com o objetivo de batizar os primeiros conversos.

No mês de fevereiro de 1895, o pastor Westphal desembarcou no Rio de Janeiro e acompanhado por Stauffer, seguiu primeiro para o interior de São Paulo a fim de batizar os primeiros conversos neste estado. O primeiro a ser batizado foi o professor Guilherme Stein Jr, em abril de 1895, na cidade de Piracicaba, e seu batismo foi realizado no Rio Piracicaba, que na língua indígena significa colheita dos peixes.  Interessante o simbolismo, porque este primeiro batismo seria apenas o primeiro passo para uma grande colheita de almas.

O segundo batismo foi em Rio Claro, com dois conversos: Guilherme e Paulina Meyer e logo após mais seis conversos foram batizados em Indaiatuba; Guilherme Stein (pai), sua esposa Ana Krähenbühl e mais quatro filhos.

A viagem seguinte do pastor Westphal foi para Santa Catarina, a fim de batizar os conversos descobertos por Bachmeier. Neste itinerário o pastor passou por várias localidades e pregou a mensagem nas cidades de Joinville, Blumenau e outras cidades do Estado catarinense, deixando interessados trinta observadores do sábado em Joinville, os quais foram preparados para um batismo futuro.

Em Brusque o pastor Westphal encontrou oito conversos, batizando-os no sábado 8 de junho de 1895. Três dias após, quatorze pessoas foram batizadas em Gaspar Alto: Wilhelm Belz, Johanna Belz, Fraz Belz, Gerthrud Belz, August Olm, Johanna Olm, Margarete Olm, Ricardo Olm, Marta Olm, Clara Olm, Hermann Olm, Emil Olm, Anna Wegner e o colportor Alberto Bachmeier, que embora convertido ainda não tinha sido batizado. Após o batismo todos participaram da Santa Ceia. Em Gaspar Alto foi organizada em fevereiro de 1896 a primeira Igreja Adventista no Brasil, sob a supervisão do pastor Huldreich Graf. Neste mesmo ano, porém, já existiam no Brasil cinco grupos de conversos adventistas que já realizavam a escola sabatina, nas seguintes cidades: Campo dos Quevedos e Taquari - RS; Joinville - SC; Curitiba – PR; e Rio Claro em São Paulo.

Por volta de 1900 mais de cem membros pertenciam a Igreja de Gaspar Alto, de onde saíram colportores, professores e alguns pastores que, unidos no mesmo ideal, trabalharam em regiões diversas espalhando a mensagem Adventista pelo Brasil.

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Johanna e August Olm

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Johanna e August Olm

 

Johanna e August Olm

 
O aumento crescente de novos conversos e de interessados, principalmente nos estados da região sul do Brasil, Espírito Santo e Rio de Janeiro, levou a Associação Geral a providenciar um pastor efetivo para o Brasil, bem como um dirigente da obra local. O primeiro foi o pastor Huldreich F. Graf e o segundo o pastor Friedrich Weber Spies. Viajaram e muito fizeram para o progresso da obra na qualidade de pioneiros, apesar dos muitos sacrifícios que tiveram de enfrentar no início de suas atividades, inclusive privações econômicas. Mas o que é essencial, é o fato de muitas almas serem ganhas pelos esforços de ambos os missionários, que lançaram bases firmes para o estabelecimento dos campos missionários que se seguiram.

A administração organizada do trabalho Adventista no Brasil verificou-se, quase simultaneamente, no Rio de Janeiro em 1902, sob a supervisão do pastor Friedrich Weber Spies, e em 1906, no Rio Grande o Sul (Taquari), a cargo do Pr. Huldreich Graf, os quais foram os primeiros dirigentes locais. Sendo que na região sul do país ocorreu um maior progresso para a obra, naturalmente a primeira União estabelecida veio a ser a União Sul-Brasileira, em 1911.

Deus deu o crescimento em todas as áreas que abrangem a ação da Igreja, as publicações vieram primeiro.

No Brasil, a página impressa foi à cunha por excelência para a penetração da mensagem adventista; e o papel da colportagem a esse respeito ocupa um lugar destacado.

Além do desbravador A. B. Stauffer, dois irmãos colportores, Albert e Friedrich J. Berger, iniciaram no Rio Grande do Sul em 6 de agosto de 1895 o seu plano de vendas de literatura adventista nas colônias alemãs, porquanto só possuíam livros e periódicos em alemão, e ainda não existiam impressos em português com a nossa mensagem. Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo foram também trabalhados por estes valorosos colportores.

Estes pioneiros da colportagem eram verdadeiros heróis que rasgavam o sertão em sua montaria, levando seus livros, vivendo intrepidamente cada dia as suas surpresas e os percalços da jornada aventureira: calor, fome, chuva torrencial, frio, lama, ventania, muitas vezes dormindo ao relento e expostos a animais perigosos, mas não desanimavam em sua nobre missão.

A colportagem no Brasil começou a ter mais amplo campo de ação depois que a nossa literatura começou a sair em português.

A Casa Publicadora Brasileira é uma das 55 editoras pertencentes à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi fundada em julho de 1900, no Rio de Janeiro, mas em 1905 foi transferida para Taquari, Rio Grande do Sul.

Em 1907 estabeleceu-se em Santo André, São Paulo, e lá permaneceu por 78 anos. Mudou-se para Tatuí, interior de São Paulo, em 1985 e foi edificada em um terreno com mais de meio milhão de metros quadrados. Sua área construída hoje mede 18.000 m2 e isso a torna a terceira maior Editora dos Adventistas no mundo.

O primeiro periódico a ser publicado em português foi O Arauto da Verdade em janeiro de 1900. O primeiro livro editado foi A Vinda Gloriosa de Cristo, em 1907.

Em 1898 foi estabelecida em Gaspar Alto, sob a direção do Prof. Guilherme Stein Jr, a primeira escola missionária no Brasil. Diversos missionários passaram por esta escola.

A segunda escola missionária foi fundada em Taquari – RS, em agosto de 1903, tendo como diretor o professor Emil Schenk, mas em 1910 foi fechada pela obra, pois um plano melhor havia sido delineado: o estabelecimento de uma escola Missionária em São Paulo, para melhor servir aos vários campos, por motivo que a escola de Taquari no Rio Grande do Sul, não estava bem localizada.

Assim, em 1915 a obra adquiriu um terreno de cerca de 70 alqueires, a 23 Km da cidade de São Paulo, próximo a Santo Amaro. Nesta nova propriedade foi estabelecida a terceira escola missionária no Brasil, o Seminário Adventista, conhecido depois por Colégio Adventista Brasileiro e atualmente por Instituto Adventista de Ensino. Foram seus fundadores J. Lipke e J. H. Boehm, e o primeiro professor foi o senhor Paulo Henning, que no dia 4 de julho de 1915 ministrou a primeira aula a 12 alunos.

Neste novo seminário, professores e alunos irmanados trabalharam com afinco, movidos pelo mesmo ideal. Desta maneira uma simples granja no meio do mato foi transformada num belo local apropriado para o preparo educacional dos futuros obreiros, no Brasil.

Em anos sucessivos outros educandários foram estabelecidos no Brasil: em 1937, o Ginásio Adventista de Taquara (Taquara – RS), atual Instituto Adventista Cruzeiro do Sul, em 1939 o Instituto Teológico Adventista, hoje atual Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (Petrópolis – RJ); em 1947, o Ginásio Adventista Paranaense, sediado em Curitiba; em 1943, o Educandário Nordestino Adventista; em 1950, próximo a Campinas (S.Paulo) começou a funcionar o Ginásio Adventista Campineiro, atual Instituto Adventista  São Paulo (IASP); em 1961, o Instituto Grão-Pará, em Belém.

Deus deu o crescimento em educação. Da escola de Gaspar Alto multiplicaram-se: internatos, escolas de 1º e 2º Grau, faculdades e agora também temos uma universidade.

Atualmente existe 5 faculdades, e 762 escolas e colégios distribuídos por todo o Brasil.

 A Igreja Adventista do Sétimo Dia, em todos os tempos de sua existência, sempre contribuiu com as necessidades básicas da humanidade: saúde, educação, social e espiritual. Estas quatro necessidades básicas formam uma perfeita simbiose, quando levadas a efeito, para o bem-estar e salvação do ser humano. E nisto consiste a missão da Igreja.

A reforma pró-saúde, em harmonia com Educação, Social e Publicações, constituem o pano de fundo da bandeira Adventista para a pregação do evangelho, em todas as partes do mundo.

Em 1896, o Pastor Huldreich Graf, começou a ministrar no Brasil, princípios de saúde em forma de hidroterapia, outros tratamentos naturais, alimentação vegetariana e outros. Em 1907, também dos EUA, chegaram ao Brasil como missionários a Dra. Luise Wurtz e C. Hoy, enfermeira, para o mesmo trabalho.

No Rio Grande do Sul, Ernesto Bergold, aceitou a verdade Adventista por meio da reforma pró-saúde. Em 1928, no norte do então Estado de Goiás (hoje Tocantins), Ilha do Bananal, N. Allen, começou o trabalho médico assistencial missionário, entre a tribo indígena Carajá. Em 1953, foi lançada no Rio Araguaia a lancha “Pioneira”, pilotada por Lair Montebelo. Enquanto isso, desde 1931, Leo e Jessie Halliwell, navegavam o rio Amazonas, curando e pregando aos milhares de ribeirinhos.

Em 1937, o presidente da União Sul Brasileira, pastor E. H. Wilcox chamou o Dr. Antônio Alves de Miranda, para ser o médico da União. Em 1939, foi fundada uma pequena clínica em São Paulo, chamada “Sanatório Boa Vista”. Em 1942, fundada a Casa de Saúde Liberdade, hoje, Hospital Adventista de São Paulo. Depois, vieram os demais hospitais e clínicas. Hoje temos no Brasil 13 clínicas e 5 hospitais.

A mensagem adventista no Brasil teve seu providencial e humilde começo ao seguinte tripé: Publicações, Educação e Saúde. Deste incipiente início, hoje, mais de 120 anos depois, podemos analisar os maravilhosos frutos que aí estão com 6 Missões, 23 Associações, 5 Uniões, muitas e prósperas Instituições e mais de um milhão de membros batizados.

Deus tem abençoado ricamente Sua obra no Brasil, o sacrifício dos pioneiros que aqui vieram não foi em vão. Antes, porém, veio a frutificar com abundância, repetindo mais uma vez a maravilhosa parábola do semeador, e do sucesso da semente que caiu em boa terra.


Este histórico "Iluminados Pela Luz da Verdade" é parte integrante da obra "Fé, Honra e Coragem de Um Povo".  
 
 
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